Somos a Igreja pela qual esperávamos?

Tenho trabalhado e compartilhado a Jornada Vida Cristã é relacionamento, na qual conversamos sobre as quatro esferas de convivência do cristão, com Deus, consigo mesmo, com a Igreja e com o mundo. Enquanto estou enfiado nisso, parte de mim se entristece profundamente com a identidade e o posicionamento da grande maioria evangélica no Brasil e no mundo.

Me enfureci e esbravejei nas redes sociais ao saber que um pastor conhecido publicamente, enquadrou as palavras de Jesus: – Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará – porém, assinadas pelo atual Presidente da República e as colocou em lugar de honra na sede de sua denominação. Uma heresia pública travestida de patriotismo cristão ou de cristianismo político.

Porém, o que mais me entristece não é este ato previsível deste líder evangélico. O que mais me angustia é o tal silêncio dos “bons”. Uma infinidade de pastores e líderes cristãos que se omitem a criticar este ato, por dois “princípios” que se sintetizam em palavras bem parecidas: CONVENIÊNCIA E CONIVÊNCIA.

Conveniência que se explica pelo silêncio e falta de posicionamento de quem apenas quer “cuidar de seu aprisco” que também pode ser traduzido acidamente por “manter a boa relação com seu público midiático”. A omissão conveniente de não se meter em encrencas por achar prudente engolir a seco uma heresia em prol de um “bem maior” da sociedade.

Conivência que se explica pela concordância com a miscigenização nefasta entre Igreja e Poder. A omissão conivente de quem, ainda que veladamente, CRÊ que a igreja precisa ser autoritariamente hegemônica na política, na cultura e no foro íntimo de cada cidadão.

No meio desta minha profunda repulsa, minha esposa me apresenta a nova música do Martin Garrix, em parceria com Bono e The Edge, que repete no refrão:
Nós somos as pessoas pelas quais esperávamos
Das ruínas do ódio e da guerra
Exército de soldados do amor nunca visto antes
Nós somos as pessoas pelas quais esperávamos
Somos as pessoas da mão estendida…

Reflito comigo: Somos a Igreja pela qual esperávamos? Somos mesmo o povo que reflete a luz de Cristo na escuridão deste mundo caído ou somos o povo que briga por lugar e privilégio em espaços políticos? Somos um exército da paz que salga o mundo com sua santidade expressa pelo amor a Deus? Somos as pessoas de mãos estendidas ao próximo ou estendidas ao próximo conchavo político em nome da “Fé”?

Que as palavras de Paulo aos Gálatas ecoam retumbantes:
‘Que seja amaldiçoado qualquer um, incluindo nós, ou mesmo um anjo do céu, que anunciar boas-novas diferentes das que nós lhes anunciamos. Repito o que disse antes: se alguém anunciar boas-novas diferentes das que vocês receberam, que seja amaldiçoado. Acaso estou tentando conquistar a aprovação das pessoas? Ou será que procuro a aprovação de Deus? Se meu objetivo fosse agradar as pessoas, não seria servo de Cristo. ‘
Gálatas 1:8-10

Transformai-vos pela ação e a não omissão!

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