dois brasis duas igrejas

Dois Brasis, duas Igrejas

Outro dia, sapeando pelo Youtube, me deleitei com uma edição de 2017 do Roda Viva da TV Cultura, na qual entrevistaram o querido Rolando Boldrin. No meio da entrevista, um dos entrevistadores o elogiou dizendo que o trabalho do Boldrin representa o Brasil Real, o Brasil de uma cultura e de uma natureza exuberante, em contraste com o Brasil Oficial, da politicagem, do conchavo e da corrupção generalizada. Sem dúvida nenhuma é nítida a existência destes dois Brasis. Um Brasil que a gente vê nos litorais e nos campos, um Brasil que a gente ouve e sente numa infinidade de ritmos e modos de vida tão bonitos. O Sr. Brasil do Boldrin. Ao mesmo tempo, um Brasil que a gente vê nas notícias, um Brasil que se enlameia nas falcatruas de líderes públicos e privados que entram e saem, mas não saem da lama.

Na busca pelo Brasil Real, Rolando Boldrin cita emocionado o poema de Érico Veríssimo:
“Você de repente está ouvindo um campeiro. Um homem simples da terra. Vendo e ouvindo este campeiro, tão íntimo da terra e da vida, tão iluminado pela sabedoria do coração… Você compreenderá que o homem brasileiro é milagrosamente um só. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, a despeito de suas distâncias geográficas, um só no que possui de essencial: a cordialidade, o horror à violência, a capacidade de dar-se e também de rir da vida, dos outros e de si”.

Também é assim com a Igreja. A Igreja Real! Uma Igreja composta por cristãos rendidos aos pés de Jesus. Uma igreja que insiste em se manter lúcida, tendo como foco único a Palavra de Deus. Uma Igreja que reconhece sua vulnerabilidade, mas se mantém firme na invulnerabilidade do amor de Jesus. Ao mesmo tempo, há uma Igreja que se vende aos novos ventos. Uma Igreja que se entrega ao Brasil Oficial com suas ardilosas estruturas de poder. Uma Igreja que se liquidifica na lama, enquanto se omite à justica que clama nas ruas.

Na busca pela Igreja Real, cito emocionado as palavras de Jesus em sua famosa oração:
‘Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo. Em favor deles eu me santifico, para que também eles sejam santificados pela verdade. ‘ – João 17:14-19

Duas Igrejas que habitam dois Brasis. Dois Brasis que habitam duas Igrejas. Duas Igrejas que olham e interagem com estes Brasis de modos diferentes. Duas igrejas e dois Brasis que só podem e serão julgados pelo próprio autor e consumador da fé, Cristo Jesus, nosso Senhor.

Transformai-vos!

2 comentários em “Dois Brasis, duas Igrejas”

  1. Gostei muito desse texto, por também ver assim nosso povo brasileiro, que não pode ser todo responsável pela poluição espiritual e mental e a profunda contaminação das aguas vivas dadas por Deus para vivificar nossa primeira dádiva do Pai Eterno: o jardim Brasil. Muito obrigado por seu trabalho. Belíssimas escolhas.

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