Landslide – Dia dos Pais

Guardo poucas, mas carinhosas lembranças do meu avô paterno, o suave Vô Pedro. Ele amava quadros, plantas e tango. Lembro quando ele me levava até a frente da casa para esperarmos minha irmã chegar da escola. Ele faleceu quando eu tinha apenas 6 anos. Durante toda minha juventude, não entendi o porquê do Dia dos pais ser uma data tão difícil para o meu pai. Ele era meu pai e eu queria que ele estivesse feliz e orgulhoso por ser pai.
Minha meninice me privava de ver o óbvio. Ele não passa por essa comemoração social como pai. Hoje eu entendo. Em primeira instância, ele suporta essa data anual como filho do Pedro. Nela, ele recorda toda construção de vida tecida entre os dois, naquele período mais expressivo da vida.
Hoje eu entendo porque também sou pai. O dia dos pais é um dia de ser filho, mesmo para os mais avançados na idade. É um dia de olhar para o pai, enquanto nossos filhos olham pra nós. Porque apesar do tempo nos trazer coragem para sermos adultos, neste dia nos lembramos de que construímos a nossa vida ao redor dos nossos pais. Dia dos pais é dia de lembrar que mesmo envelhecidos, a criança ainda está ali e sempre estará ali, escalando a montanha pra olhar a vida como foi no passado, até que a avalanche do tempo nos traz de novo pro presente e pras nossas demandas como pais.
Nós quatro tínhamos uma identidade formada por brincadeiras, hábitos, práticas, conversas, músicas e senso de humor próprios do nosso pequeno universo. E hoje olhamos para você, pai, com gratidão por ter sido presente na construção de memórias que alicerçaram nosso viver hoje com nossos filhos e pais.

Nesta semana me reencontrei com esta música antiga que expressa um pouco esse sentimento:

“Escalei uma montanha e voltei
E eu vi meu reflexo nas colinas cobertas de neve
Até que a avalanche me derrubou

Oh, espelho no céu, o que é amor?
Pode a criança no meu coração crescer mais?
Posso navegar através das ondas do oceano?
Posso lidar com as estações da minha vida?

Bem, eu tive medo de mudar
Porque construí minha vida ao seu redor
Mas o tempo traz coragem,
Até mesmo as crianças envelhecem
E eu estou envelhecendo também”
(Fleetwood Mac)

Texto por Lucas Pedro e Andréa Cristina para Ronald.

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