Quem vai montar seus cavalos selvagens?

Num destes dias cinzas de inverno, a nostalgia me levou até um LP da velha banda irlandesa de Rock que eu tanto ouvi na juventude. Depois de algumas músicas passarem despercebidas, a tal – Who’s Gonna Ride Your Wild Horses – me fisgou.

O U2 sempre teve essa capacidade de dialogar com a minha alma, que por sua vez, me chama pra saber mais, pra entender o que a letra quer me dizer.

Você é um acidente esperando para acontecer
Você é um caco de vidro jogado na praia

[…]
Quem vai montar seus cavalos selvagens?

É exatamente isso que tenho visto em mim, é exatamente isso que tenho visto nas pessoas ao meu redor, nos ricos e nos plebeus, nos líderes e nos pseudo famosos, nos clérigos e nos leigos. Todos com as almas repletas de cavalos selvagens, à espera de alguém que as dome.

Há uns 5 anos, cometi o ledo engano de achar que tinha domado meus cavalos selvagens. Achei que havia resolvido meus conflitos interiores. Porém, se os domei, neste ano eles fugiram de novo.

Também pensamos o mesmo a respeito do mundo. Como humanidade, em uma inocência perigosa, supomos que algumas disposições obscuras do passado estavam presas apenas como memórias em nossos museus. Se elas estavam, neste ano elas fugiram também.

Quem há de domar nossos cavalos selvagens?

Quem pode nos livrar de sermos este acidente prestes a acontecer?

A fé no desenvolvimento e no progresso humano se desfaz diariamente, assim como as geleiras no Pólo Norte. Por outro lado, a crença que tem como base a profunda e notória corrupção humana se fortalece a cada dia.

Ninguém consegue, nem ao menos, esconder seus cavalos. Somos bilhões de cacos de vidro cobrindo a praia. Feridos, ferimos uns aos outros com insultos reais e virtuais. Somos a comprovação da queda. Somos a prova real da Palavra de Deus.

Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
Miserável homem que eu sou!
Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:21-24)

Assim como Pedro, diante dos meus cavalos selvagens, pergunto com certa aflição: Para onde iremos, Jesus? Só você tem as palavras que podem me livrar deste acidente prestes a acontecer. Só em sua presença encontro a paz que me livra de quem sou e de quem somos.

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