Desgraça comum

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Em minha igreja estamos estudando o Livro Coronavírus e Cristo, escrito por John Piper e distribuído gratuitamente pelo Ministério Fiel. Durante o primeiro estudo do livro, um presbítero e grande amigo soltou esta forte afirmação: – Estamos vivendo uma desgraça comum!

Esta frase me intrigou pois, nos últimos anos, tenho falado bastante sobre a Graça Comum e sobre a importância do cristão contemporâneo entender este ensino proposto por Abraham Kuyper. Em sua teoria, ele dividiu a Graça de Deus em duas manifestações: A graça comum e a graça especial, também chamada de salvadora.

A graça especial compreende toda a iniciativa de Deus para salvar os crentes, por meio de seu filho. Já a graça comum, por sua vez, é concedida a toda humanidade. Esta graça é o que permite ao homem desfrutar das bençãos naturais da vida. O Sol, a chuva, o alimento e tudo mais que está ao alcance de crentes e descrentes. Mais do que isso, ela explica porque o ser humano, apesar de corrompido, ainda manifesta amor e solidariedade. Ela explica porque um homem ateu pode empenhar toda sua vida em criar, por exemplo, uma vacina que impede milhões de pessoas de morrer.

Porém, antes que a vacina se torne realidade, nós todos, cristãos, ateus, islamistas, budistas, espíritas e toda uma pluralidade de fiéis e infiéis, vivem hoje o que meu amigo denominou de Desgraça Comum. Uma dura realidade que cai sobre todos, justos e injustos, como uma chuva que não faz acepção de pessoas.

Acredito que assim como a Graça comum nos une como espécie, a Desgraça Comum também o faz com muita expressividade. Apesar de termos crenças e descrenças distintas, essa desgraça nos ensina que somos iguais em nossas origens. Iguais, inclusive, na falta de anticorpos contra este inimigo. Iguais na fragilidade pessoal e social. Iguais apesar das diferenças sociais que tanto nos dividem. Estamos juntos durante a pandemia e estaremos juntos na recessão econômica que já bate à porta.

No livro de Rute, a família de Noemi migra para Moabe, fugindo da fome que assola Israel. Lá, os filhos de Noemi se casam com moabitas. Nesta terra, Noemi começa sua jornada com Rute, sua nora moabita que abandona os deuses de seu povo e confessa adorar o Deus de Noemi. Essa mesma nora que, no final do livro, lhe dá um neto e é considerada uma nora que vale mais do que sete filhos. Uma sogra israelita, com uma nora moabita.

A desgraça comum, assim como a graça comum tem força para unir pessoas de origens e crenças distintas. A mesma desgraça comum também tem uma força incrível para comunicar a Graça Especial de Deus, pois é no meio da desgraça que as coisas insignificantes e fúteis que tanto valorizamos, perdem seu significado, deixando um vazio que só a Graça de Deus, em Cristo Jesus pode preencher. Que nós, cristãos, saibamos ser sal e luz durante esta desgraça comum.

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3 comentários em “Desgraça comum”

  1. Essa pandemia, vinda pela Providência de Deus, tem provocado uma relação muito próxima com a morte, e o medo da morte. Também tem provocado uma volta, pelo mundo todo, a uma avaliação da vida de cada um e a busca dos seus deuses, e do Unico e Verdadeiro Deus. Desespero, desgraça, descrença para muitos, e também de Fé, Esperança e Amor com solidariedade para tantos outros, que creem no Seu nome. Enfim, uma oportunidade de exortação para a indiferença, a incredulidade, a apostasia, a permanência no pecado e à indiferença. Estamos estudando a epístola aos Hebreus, que nos exortam sobre essas coisas, nesses tempos de tribulação, e de busca de uma visão renovada das glórias de Cristo

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  2. a desgraça comum é o que deve nos motivar a expor Jesus genuinamente, pois independentemente das circunstâncias àqueles que encontram nEle a verdadeira salvação, sabem que o redentor vive, e que a morte pelo motivo que for, não é o fim, mas o início. E isto não é pessimismo, mas fé, pois graças a Jesus podemos crer no amanhã. Graças a Deus por suas palavras.

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