Uma jornada de individuação

Parti;
Andei por vales e desfiladeiros sombrios, dormi nas ruínas do velho mundo. Enfrentei o frio da noite no deserto. Espantei os chacais que me espreitavam e corri dos monstros imaginários que meu medo criara.
Quando minha mente sucumbia ao deserto do nada, encontrei-me com a musa protetora e conheci meu mestre e conselheiro. Fui amparado por um povo que não conhecia.
Estive frente a frente com o herói, a quem contei meus sonhos e por quem fui protegido. Com ele revisitei meu lugar de origem, onde conheci minha mãe, meu pai e avô.
Neste mundo novo e inesperado, proferi a todos minha única mensagem. Fui chamado para fazer parte do todo. Organizamos um novo conselho e descobrimos a paz. Mas a paz ainda não era o fim.
Partimos;
Agora juntos, visitamos a mais profunda e sombria caverna. No meio da mais densa escuridão, encontramos a luz. De tanto contemplá-la, adoeci diante de sua beleza e pureza.
Quando já desfalecia diante dela, fui salvo novamente pelo herói. Vi seu corpo desintegrar-se a minha frente, morrendo em meu lugar. Senti seu corpo em fusão com o meu, então fechei os olhos e desmaiei.
Ao acordar, me levantei e percebi que este ser que me tornara, sorria agora com olhos confiantes. Neste não há medo, nem dor, nem ódio, nem mágoa, nem orgulho, nem pena. Neste apenas a certeza de quem sou.
Ao sair da escuridão, contemplei o mais claro de todos os dias. Vi meu povo, que ao se aproximar, perguntou: – Quem é você? Ao que respondi: – Sou aquele que une os dois mundos; Eu sou o que sou.
(por Ansar)

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