A Torre e a Mulher

A imagem que sempre me vem à mente quando lembro de você em minha infância e adolescência é uma grande torre, aquelas dos contos de fadas, bem alta, feita de grandes pedras retangulares encaixadas uma sobre as outras. Esta torre foi construída sobre uma forte ponte, sobre um grande rio chamado Vida. Morei neste forte por um bom tempo, me acolhi, me protegi do frio, da fome, da nudez e de todos os muitos medos que senti. Mas um dia tive de partir. Saí por uma pequena porta na base deste prédio, peguei uma pequena canoa, apenas um remo, entrei no rio e tomei meu rumo. Sempre que te vejo, lembro da torre, lembro do conforto, do abrigo e da paz que sentia enquanto menino. Só por este sentimento, por estas lembranças, já te devo muito.

Neste ano, algo mudou, algo aconteceu com nós dois. Num determinado momento, fui visitar esta torre,  mas me deparei com uma mulher de carne e osso, saindo por aquela portinha da qual eu havia saído há alguns anos. Pra minha surpresa, era você. Você veio até mim e me disse: – Eu sou uma mulher, não uma torre. Ajude-me a desmoronar aquela torre, pois não a quero mais. Você me deu uma marreta e com outra em sua mão, disse: – Vamos! Ajude-me!

Hesitei por alguns segundos, quando você pegou minha mão, dizendo: – Vamos! Ela já serviu, agora não precisamos mais. Hoje, quero ser mulher e não se esqueça, vou errar hoje, amanhã e até morrer. Mas por outro lado você vai me sentir bem mais perto e humana como você. Depois destas palavras decidi ajudar. Demolimos a antiga construção a marretadas, no final, exauridos, nos abraçamos satisfeitos, pois agora somos iguais.

Por mais este sentimento e aprendizado, já te devo muito mais.

Obrigado,
de Lucas Pedro Panobianco Basílio dos Santos
para Geovanete Panobianco Basílio

4 comentários em “A Torre e a Mulher”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *